quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O "cara" dos blocos de rua


O principal representante dos blocos de rua do Rio chama-se Bruno Marfim e tem 23 anos. Mestre Marfim, como é conhecido, divide seu tempo e sua paixão e se dedica de corpo e alma aos principais blocos de rua da cidade. Mestre do A Rocha, famoso bloco que desfila na Gávea, na terça-feira de carnaval, é por lá que ele desempenha a função de coordenar os músicos que tocam na bateriam e colocam o povo para pular. Entre um ensaio e outro do A Rocha, Marfim também é diretor de bateria de blocos que fazem parte da história carnavalesca do Rio, como o Carmelitas, que se apresenta em Santa Teresa, e do Suvaco de Cristo, que arrasta multidões no Jardim Botânico. No bloco Desculpa Para Beber, no Humaitá, Marfim acompanha o batuque da bateria como diretor.
Tanto amor pelo samba começou no berço, na comunidade Santa Marta, em Botafogo, onde nasceu. Filho de passista (Babá) e de ritmista de escola de samba (Mestre Folia), o jovem lembra com carinho dos tempos em que acompanhava os pais pelos melhores sambas do Rio.
— Desde pequeno eu tenho ligação com samba, não tive como escapar. Mas minha primeira apresentação com responsabilidade foi aos 11 anos. Daí em diante eu nunca mais deixei o carnaval e o carnaval nunca me deixou — contou Marfim, durante entrevista na quadra da Escola de Samba São Clemente, no Centro do Rio, onde também participa da bateria, tocando repique.
Bem humorado e sempre com sorriso no rosto, Marfim conta que a partir do início do mês de dezembro sua vida vira uma loucura, já que tem que conciliar dezenas de ensaios por semana.
— Em dezembro tudo começa a ficar corrido. Mas piora muito em janeiro, quando tem dias que durmo duas horas por noite. Saio de um bloco para o outro e ensaio muito. Mas sempre com alegria. É a minha grande paixão — disse o jovem, que além de mestre do carnaval carioca trabalha como auxiliar administrativo em uma universidade particular.
— Meu sonho é viver do samba, mas por enquanto não é possível. Enquanto isso, acumulo horas extras durante o ano e tiro umas folgas no carnaval. Isso ajuda a aguentar o ritmo.
E para conseguir manter o pique necessários nos meses que seguem, quem dá a receita é a mãe de Marfim, Babá:
— O jeito é fazer vitaminas para ele tomar de manhã, como abacate com leite, pois sustenta. Mas eu sempre peço que ele tome um açaí na rua durante o dia e beba muita água. Se não, não dá para aguentar.
Foi o que aconteceu há alguns anos. Cansado da maratona dos blocos de rua, Marfim precisou substituir um mestre-sala em uma apresentação, e na hora do desfile, desmaiou.
— Foi um susto. Depois disso passei a me cuidar mais. Não uso drogas, não bebo álcool, só muita água. Também faço musculação e meu objetivo é alcançar os 85kg até o carnaval. Mas acho difícil, pois perco muito peso nesta época —disse Marfim, que mede 1,85 metros e pesa 74 quilos.

Fonte: O Globo

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Passista da São Clemente será Rainha de Bateria da Mocidade Unida do Santa Marta

O que a São Clemente, escola do Grupo Especial, e a Mocidade Unida do Santa Marta, integrante do Grupo D, têm em comum? Ambas são oriundas do bairro de Botafogo, ambas tem ritmistas que tocam nas respectivas baterias e agora tem uma rainha de bateria da comunidade. No próximo domingo , a escola da Favela do Santa Marta coroou Diana Prado, passista há 7 anos da preta e amarela da Zona Sul. A beldade, de 26 anos, já é conhecida da escola: participa há mais de um ano de projetos sociais, já foi diretora da ala de passistas e foi musa da azul e branco. Ela nos conta como surgiu a oportunidade de ocupar o posto de soberana dos ritmistas da agremiação:“Na semana passada, com a saída da antiga rainha, o presidente da escola, Haroldo Fully e o mestre da bateria Sidão me convidaram para estar à frente a bateria, uma vez que já possuo uma identidade e afinidade com os componentes da escola. Estou muito feliz com o convite”.
Diana é moradora do Rio Comprido, tem como time do coração o Vasco da Gama e malha cerca de 1 hora por dia. Trabalha como supervisora de uma central de atendimento de planos odontológicos. Sua coroação será no próximo domingo, dia 09 de dezembro, em uma grande festa na quadra da Mocidade Unida do Santa Marta. Esbanjando felicidade, Diana convida a todos os sambistas para irem ao evento em sua homenagem:
“Espero todos os meus amigos e admiradores do meu trabalho para estarem ao meu lado em mais um momento especial como este, minha coroação como rainha de bateria da G.R.E.S Mocidade Unida do Santa Marta! Um beijo no coração!”
A DIANA_BOOK PRAIA (4)A Mocidade Unida do Santa Marta desfilará na segunda-feira de carnaval com o enredo “Dona Marta mexe o caldeirão da Pantera”, desenvolvido por uma comissão de carnaval. Ela será a décima primeira escola a desfilar na Estrada Intendente Magalhães. A quadra da agremiação fica na rua Jupiara, 72, em Botafogo. O evento começará às 20:30hs e a entrada é franca.

Fonte: Blog Falando de Samba (Por Paula Ranieri)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Grupo Cênico Musical Eco do Santa Marta na Unape



O Grupo Cênico Musical Eco do Santa Marta mais uma vez irá nos brindar com a sua apresentação muito empolgante. O Grupo que já se apresentou por diversos lugares do Rio de Janeiro dessa vez estará na Unape que fica na subida do Santa Marta.
Tendo Vera Versiani como maestrina, o Grupo mostra um repertório super eclético e de muito bom gosto, onde serão apresentadas musicas tais como: Iluminada, Toada Brasileira, Bela Mocidade, Peço a Deus, Favela I, A Voz do Morro, Suplica Cearence, Chuva de Prata, Esperando na Janela, Coração Setanejo e Ato de Coragem.
Também haverão textos como: Matrix, Trânsito Livre, Todas as Vidas e O Poeta da Roça.
Vera que é Poeta, cantora, compositora, com dois CDs gravados, professora de canto, violão, musica e matematica, com formação em química e biofísica é coordenadora do Grupo Cênico ha dez anos, para qual compõe musicas e textos poéticos, tendo em seu recente livro "Alma Favela" diversos textos que surgiram a partir dessa parceria.


Dia: 
05/12/2012 - 4ª feira
Horário:
 20hs 
Local: 
Salão da UNAPE Anchieta - Livre
Rua Marechal Francisco de Moura, 183 - Botafogo


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Inscrição da Colonia de Ferias Domingo



Inscrições para 34ª Colônia de Férias Eco 2013
Neste domingo, dia  02/12/2012 - Horário: 8:00h
Importante - NÃO É NECESSÁRIO FAZER FILA NO SÁBADO!
Local: Sede do Grupo Eco e na Capela do Pico
Valor da inscrição: R$15,00 - Mesmo quem não tiver o dinheiro no dia, pode fazer a inscrição!
Levar a certidão de nascimento ou identidade ou cartão de vacina da criança (Originais).
Idade: Crianças entre 06 e 12 anos de idade (a criança  deve ter entre 6 ou 12 anos no início da colônia)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Folia de Reis do Santa Marta no cinema


Em outubro de 2011 a Folia de Reis Penitentes do Santa Marta, participou da gravação do filme "Sobre Ruínas" que foi gravado em Paraty - RJ  dirigido pelo diretor Vinicius Reis será lançado no dia 29 de novembro, uma quinta-feira, às 21:30hs no Espaço Itaú de Cinema, na Praia de Botafogo perto da Casa e Vídeo.
O filme conta a história de um rabequista (tocador de rabeca) que depois da morte do filho abandona a cidade onde mora e sua maior paixão que é a Folia de Reis.
Depois de vários anos ele volta quando a Folia está ensaiando e.... mais detalhes só vendo o filme.. rs

Folia de Reis do Santa Marta no Show da Xuxa


A Folia de Reis Penitentes do Santa Marta foi convidada a participar da festa de Final de Ano da apresentadora Xuxa no Maracanãzinho.
Em meio aos preparativos para a jornada 2012/2013, os foliões estão super animados com a possibilidade do encontro com a Rainha dos Baixinhos.
O evento será ao vivo na Rede Globo a partir das 17 horas  no dia 01/12 sabado. A Folia vê como uma verdadeira honra em ser escolhida junto com outros grupos da cultura popular brasileira e representar o Santa Marta nesse evento da Globo.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Santa Marta no Folclorando

No dia 09 de Novembro de 2012 foi realizado na UFRJ na Ilha do Fundão mais um “Folclorando”, evento que é realizado pela Cia Folclórica do Rio de Janeiro. O evento receberá cerca de 700 crianças e adolescentes da rede de ensino e projetos sociais dançando, cantando e tocando as culturas populares.
Serão homenageadas a Tia Maria do Jongo da Serrinha, Dª Antonia, caixeira do Divino e a saudosa Dª Teté do Cacuriá.
As crianças do Santa Marta, também serão representadas pelas crianças da Unape da Profª Iara.  que dançaram musicas típicas, tocaram flauta e fizeram uma Folia de Reis mirim, com os “palhaços” Thales e Alex mandando muito bem com versos e chula.
O palhaço da Folia de Reis do Santa Marta Juninho foi até a Unape fazer uma oficina, onde explicou para as crianças a origem das Folia de Reis no Brasil e a história da Folia de Reis no Santa Marta.
Parabéns aos organizadores, à profª Iara e as crianças que mandaram super bem.

Local: ESCOLA DE ED. FÍSICA- ILHA DO FUNDÃO
DIA 9 DE NOVEMBRO A PARTIR DAS 9 HORAS ATÉ 16 HORAS.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Inscrição da 34ª Colonia de Férias do Eco


Acontecerá no dia 02/12/2012 a inscrição para a 34ª Colônia de Férias do Grupo Eco na sede do grupo no Santa Marta e o preço continua sendo de R$10,00.
A 34ª Colônia de Férias acontecerá no período de 06 a 20 de janeiro de 2013.
Esta é a atividade do Grupo Eco que  mobiliza o maior número de pessoas no Santa Marta: são 320 crianças entre 6 e 12 anos de idade e 50 monitores
adolescentes, jovens e adultos que durante 15 dias consecutivos, dedicam, voluntariamente, parte de suas férias escolares ou de trabalho, para proporcionar lazer às crianças do morro de Santa Marta.
É um momento de lazer e integração, onde as crianças passam por atividades e competições.
Aguardamos a presença de todos os interessados.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ensaios da Folia de Reis do Santa Marta 2012/2013

Finalmente foi dada a largada para o período 2012/2013 da Folia de Reis Penitentes do Santa Marta. Com o comando do Mestre Riquinho e do Contra Mestre Cosme, o ensaio aconteceu no ultimo sábado dia 27/10.
Alguns foliões estavam presentes como Paulo Henrique, Porrete, Mudinho. Nando,Rita, Miro e Russo, além dos palhaços Juninho e Yan que deram um brilho a parte e todos estavam muito animados para a jornada que se inicia.
Os foliões que vieram da Cidade de Deus eram os mais animados e prometem muita garra e alegria.
Quem tiver interesse em assistir aos ensaios ou entrar na Folia, basta ir à sede da Folia na casa da Dona Maura ao lado da associação de moradores do Santa Marta.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Onde Fazer?

Segue abaixo texto na íntegra de reflexão escrito por Rafael Meireles membro do Grupo Eco:
 
Onde Fazer?
Atualmente, em meio ao sobe e desce no interior da favela durante os finais de semana, podemos assistir a um verdadeiro desfile de modas, loiros, loiras, maioria esmagadora de brancos e porque não dizer 99,99%, ou seja, classe média. Não a nova classificada pelo governo com renda aproximada de mil reais, mas aquela velha e elitista classe média brasileira.
Durante o dia (manhã) alguns falam idiomas outros que não o português e portam máquinas fotográficas com lentes cada vez maiores. Turistas, sobre estes falamos em outra oportunidade.
No final da tarde ou noite mudam as caras, os trajes, mas as cores continuam as mesmas, esses, vem buscar o que conhecemos aqui na cidade do Rio de Janeiro como "A BOA", uma forma do carioca de maneira popular identificar a melhor opção para o seu divertimento conhecido por alguns como night, balada ou até noitada. Como quiserem.
Divertimento?
Exatamente, divertimento!
Loiros, loiras, maioria esmagadora de brancos, classe média dentro das favelas em busca de boas?
(Claro que existem brancos e loiros dentro das favelas, mas é fácil identificar quando a pessoa não é do local.)
Não parece nada racional ou lógico o trecho à cima citado.
Seria o fosse, se escrito há pouquíssimos três anos anteriores a este. Quando a favela era considerada impenetrável por qualquer segmento da sociedade que não os próprios moradores.
Embora pareça “viajação” para os mais desavisados, o enredo supra narrado já foi até capa do jornal o globo, trazendo uma foto de uma laje da Favela Santa Marta, mundialmente conhecida como laje do Michel Jackson e destarte no texto o novo “point” da cidade.
Assim como o Santa Marta que está com a agenda da quadra da escola de samba lotada para eventos, outras comunidades também pacificadas já começam a ocupar grande parte da programação com festas daquelas cuja entrada varia entre 50 e 120 reais, podendo os mais organizados comprarem por 30 ou 40 reais dois meses antes do evento.
Alguns empresários exploradores deste mercado, satisfeitos que estão com o novo sucesso, indagados sobre tais iniciativas, incluem em seu discurso o grande “Q” da questão, pelo menos para esse humilde cidadão que vos escreve. Pois bem, o Q da questão é o discurso de que esses eventos nas comunidades pacificadas estariam trazendo integração social entre o morro e o “asfalto” ou pelo menos diminuindo a exclusão evidente entre as duas localidades.
Outros empresários não muito preocupados com o social apenas realizam o evento e vão embora levando suas fortunas. Certos de que não estão fazendo nada de errado.
De fato não estão. Ao menos legalmente falando.
Embora nada seja ilícito, e aí não nos cabe entrar no mérito da preparação, realização e pós-realização, essa parte deixo para as autoridades competentes, entendo que essas festas mereçam no mínimo uma análise MORAL.
Por quê?
Voltando a movimentação pela favela nos fins de semana. Além de roupas, bolsas, sapatos, bebidas e carros caríssimos, estes subindo.
Percebo que os jovens moradores da favela estão descendo e buscando alternativas para suas “BOAS” já que os espaços da comunidade estão sendo ocupados por eventos e pessoas de fora do morro. Alternativas estas: Clubes próximos que promovam bailes, pagodes ou shows com preços ainda acessíveis, além de outras favelas que ainda não tenham se tornado “point” da classe média.
O que “eles” consideram integração alguns vem considerando exclusão, visto que os jovens moradores da favela, na sua maioria esmagadora porque não dizer 99,99% não participam desses eventos. E não participam por vários motivos, ou seja, não curtem a mesma atração que os “playboys”, não se sentem bem, não ficam à vontade diante do choque cultural, não tem dinheiro para pagar entrada ou as bebidas que são caríssimas, não sabem do acontecimento ou quando sabem não tem informações de onde adquirir o ingresso. Infelizmente isso ocorre na maioria dessas festas, além de nenhuma divulgação interna, se quer vendem ingressos dentro da comunidade.
O modelo adotado, na minha opinião é notadamente discriminador e excludente, acuando cada vez mais o jovem favelado e dominando um território que historicamente foi da juventude da favela, infelizmente, esse é um seguimento que muito vem sofrendo com diversas abordagens adotadas como regra para nossa sociedade.
Com tudo, como se não bastasse perder espaço para pessoas que ali nunca estiveram esse padrão de evento vem dificultando o convívio e impondo barreiras para que os jovens moradores da favela se encontrem, se vejam, se esbarrem, namorem, se conheçam, estreitem suas relações ou simplesmente se olhem.
Importante salientar que todos querem a cidade integrada, sinceramente não sou contra os eventos, porém, o formato adotado está interferindo e prejudicando diretamente a toda uma juventude, mesmo que de forma velada e em prol da “integração”.
O texto é apenas uma reflexão não existe certo e errado, haja vista, que as festas só ocorrem com autorização de moradores das favelas que talvez não enxerguem com a mesma ótica que alguns críticos ou simplesmente acreditam que estejam promovendo a tão falada integração.
O fato é que precisamos ficar antenados. Considero importante o assunto em questão.
Quando a coisa acontece de forma velada e por trás de algum discurso politicamente correto é que temos dificuldade de debater e esclarecer a verdade aos moradores. No entanto, fica a dica para que os grupos comunitários e principalmente os jovens, fiquem ligados.
Para quando acordarmos num futuro que pode estar mais próximo do que imaginamos, querendo simplesmente nossas festas e confraternizações, não estarmos nos perguntando:
Onde fazer?
Rafael Meireles Silva,
Grupo Eco.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ato Contra a Remoção

Por Itamar Silva - No dia 25 de julho último, moradores que vivem na parte mais alta da favela de Santa Marta, conhecida por Pico do Morro, se reuniram para ouvir a apresentação do co...ntra-laudo, produzido pelo engenheiro Maurício Campos
dos Santos, sobre as condições físicas/geológicas do local onde vivem.

Em luta há mais de dois anos os moradores, em sua maioria, querem permanecer no local onde nasceram e resistiram aos momentos mais duros da favela. O local é uma das vistas mais bonitas do Rio de janeiro e, hoje, um lugar privilegiado dentro da favela de Santa Marta. Depois da instalação do Plano Inclinado que permite aos moradores chegarem em suas casas com compras, bicicletas e móveis, transportados pelo Bondinho. Depois do asfaltamento da rua Seabra Fagundes que permite o acesso à favela pelo lado de Laranjeiras. Depois da instalação da UPP no prédio que seria a Creche do Pico, a vida ali ficou muito mais fácil e por esse motivo os moradores não querem deixar suas casas para se mudarem para um apartamento de 37m² que o Estado quer oferecer neste momento.

O que o Estado está utilizando para retirar aproximadamente 150 moradores daquele lugar é a afirmação de que: vivem em uma área de risco. Por isso necessariamente tem que sair dali. No entanto, os moradores contra-argumentam dizendo que: pelos critérios apresentados pelo técnico da GEORio que esteve na favela no início de julho, “todo Santa Marta é uma área de risco”. Então, se o perigo vem do alto do morro, ameaça a todos que estão abaixo, logo, algo terá que ser feito para evitar possíveis catástrofes. De uma forma ou de outra, o trabalho de contenção naquele local será feito. Os moradores também lembram que nos mais de 80 anos de existência da favela, naquela área nunca houve acidente com mortes, apesar do abandono histórico daquele pedaço do Morro. Os barracos que caíram foram pelas condições precárias: de madeira, de estuque, velhos. Os desabamentos que marcaram tristemente o Santa Marta, ocorridos em 66/67 e em 88 e que causaram várias mortes de moradores, ocorreram na mesma área: lixão. Neste local, foi feito uma boa obra de contenção o que permitiu, inclusive, ao próprio Estado construir um conjunto de prédios. Esse fato prova que não há área de risco no Santa Marta que não possa ser requalificada.

Alguns ainda dirão que é muito caro fazer obras de contenção no Santa Marta, por isso a opção é remover os moradores daquela área da favela. Este argumento carece de muito mais esclarecimentos. Primeiro porque não há um diagnóstico preciso do que deverá ser feito naquela área em termos de contenção. Pois muito já se investiu ali a partir de 88 (construção de canaletas preventivas e alguma contenção) é necessário complementar o trabalho iniciado. Também não fica claro qual o custo deste investimento? De quanto estamos falando? É necessário se ter conhecimento desses números para se comparar com a construção de um conjunto de prédios na lateral do Morro, em área nada fácil de se construir. Como também levar em consideração a opinião dos moradores na decisão de onde investir os recursos.

No momento em que o Santa Marta ganha visibilidade nacional e internacional como lugar onde a intervenção do poder público teve sucesso, assiste-se ao mesmo tempo uma preocupação maior em atender aos turistas do que aos moradores. A informação que circula na favela é que aquela área será transformada em um parque ecológico. Outra versão diz que o Eike, sempre ele, Batista, quer construir um hotel panorâmico no Pico do Santa Marta. Outras versões correm entre os moradores e nenhuma delas beneficia as pessoas que ali moram. O Santa Marta se transformou em um bom lugar para se ganhar dinheiro com “eventos”. No entanto, há que se preservar o morro para os seus moradores. A luta do Pico é uma luta de todos os moradores do Santa Marta. O Santa Marta está entre um pequeno número de favelas do Rio de janeiro que não expandiu seu território nos últimos 20 anos e manteve numericamente sua população. Como prêmio está ameaçado de ver seu território diminuir muito mais. Este pode ser somente um começo. Os moradores precisam resistir.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Abraço ao Pico - Ato Contra a Remoção do Pico


No domingo dia 02 de Setembro de 2012, haverá um Ato Contra a Remoção do Pico no morro do Santa Marta que contará com uma caminhada ao Mirante Dona Marta.
O ponto de encontro será na Praça Corumbá em Botafogo logo no começo da favela, onde serão pintadas camisetas; cartazes e faixas.
A subida ao morro com cartazes e faixas até o pico será feita com muita animação e um abraço simbólico no campinho será dado.
Todos os moradores, amigos e simpatizantes estão convidados para essa atividade que será muito importante para essa luta que não é só dos moradores do Pico do Santa Marta, mas sim de todos nós.

Horário: 8:00 horas


Esperamos contar com todos!!!!!!!!!!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Festa Junina da Arena 2012


Começou no dia 03/08/2012 na favela do Santa Marta a grande festa junina da Arena, uma festa organizada por uma comissão que tem a sua frente Andrea (pres. dos comerciantes) e a Catia.
Com diversas barracas de comidas típicas, bebidas e brincadeiras, foi a alegria das crianças que não paravam nem um minuto sequer.
A festa irá acontecer durante todo mes de agosto as sextas, sabados (20h) e domingos (18h) e teve a apresentação das quadrilhas da Providência e do Santo Amaro e fechando com chave de ouro a quadrilha Explosão do Santa Marta que é a quadrilha da casa e levantou quem estava presente.
Com muita organização e nenhuma confusão a festa foi aprovada pelo moradores que prometem voltar durante o restante do mes.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

MORADORES DO PICO SE ORGANIZAM PARA RESISTIR A REMOÇÃO

            
No dia 25 de julho último, moradores que vivem na parte mais alta da favela de Santa Marta, conhecida por Pico do Morro, se reuniram para ouvir a apresentação do contra-laudo, produzido pelo engenheiro Maurício Campos dos Santos, sobre as condições físicas/geológicas do local onde vivem.

Em luta há mais de dois anos os moradores, em sua maioria, querem permanecer no local onde nasceram e resistiram aos momentos mais duros da favela. O local é uma das vistas mais bonitas do Rio de janeiro e, hoje, um lugar privilegiado dentro da favela de Santa Marta. Depois da instalação do Plano Inclinado que permite aos moradores chegarem em suas casas com compras, bicicletas e móveis, transportados pelo Bondinho. Depois do asfaltamento da rua Seabra Fagundes que permite o acesso à favela pelo lado de Laranjeiras. Depois da instalação da UPP no prédio que seria a Creche do Pico, a vida ali ficou muito mais fácil e por esse motivo os moradores não querem deixar suas casas para se mudarem para  um apartamento de 37m² que o Estado quer oferecer neste momento.

O que o Estado está utilizando para retirar aproximadamente 150 moradores daquele lugar é a afirmação de que: vivem em uma área de risco. Por isso necessariamente tem que sair dali. No entanto, os moradores contra-argumentam dizendo que: pelos critérios apresentados pelo técnico da GEORio que esteve na favela no início de julho, “todo Santa Marta é uma área de risco”. Então, se o perigo vem do alto do morro, ameaça a todos que estão abaixo, logo, algo terá que ser feito para evitar possíveis catástrofes. De uma forma ou de outra, o trabalho de contenção naquele local será feito. Os moradores também lembram  que nos mais de 80 anos de existência da favela, naquela área nunca houve acidente com mortes, apesar do abandono histórico daquele pedaço do Morro. Os barracos que caíram foram pelas condições precárias: de madeira, de estuque, velhos. Os desabamentos que marcaram tristemente o Santa Marta, ocorridos em 66/67 e em 88 e que causaram várias mortes de moradores, ocorreram na mesma área: lixão. Neste local, foi feito uma boa obra de contenção o que permitiu, inclusive,  ao próprio Estado construir um conjunto de prédios. Esse fato prova que não há área de risco no Santa Marta que não possa ser requalificada.

Alguns ainda dirão que é muito caro fazer obras de contenção no Santa Marta, por isso a opção é remover os moradores daquela área da favela. Este argumento carece de muito mais esclarecimentos. Primeiro porque não há um diagnóstico preciso do que deverá ser feito naquela área em termos de contenção. Pois muito já se investiu ali a partir de 88 (construção de canaletas preventivas e alguma contenção) é necessário complementar o trabalho iniciado.  Também não fica claro qual o custo deste investimento? De quanto estamos falando? É necessário se ter conhecimento desses números para se comparar com a construção de um conjunto de prédios na lateral do Morro, em área nada fácil de se construir. Como também levar em consideração a opinião dos moradores na decisão de onde investir os recursos.

No momento em que o Santa Marta ganha visibilidade nacional e internacional como lugar onde a intervenção do poder público teve sucesso, assiste-se ao mesmo tempo uma preocupação maior em atender aos turistas do que aos moradores. A informação que circula na favela é que aquela área será transformada em um parque ecológico. Outra versão diz que o Eike, sempre ele, Batista, quer construir um hotel panorâmico no Pico do Santa Marta. Outras versões correm entre os moradores e nenhuma delas beneficia as pessoas que ali moram. O Santa Marta se transformou em um bom lugar para se ganhar dinheiro com “eventos”. No entanto, há que se preservar o morro para os seus moradores. A luta do Pico é uma luta de todos os moradores do Santa Marta. O Santa Marta está entre um pequeno número de favelas do Rio de janeiro que não expandiu seu território nos últimos 20 anos e manteve numericamente sua população. Como prêmio está ameaçado de ver seu território diminuir muito mais. Este pode ser somente um começo. Os moradores precisam resistir.     

                                                                        Por Itamar Silva (Jornalista e Presidente do Grupo Eco)

 
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